quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

Agradeço com simplicidade a todas as almas que por aqui têm passado. Voltem sempre e sejam felizes :-)






Aparências Perfiladas


Numa profunda heresia,
Senti o sofrimento macabro
Que uma alma trazia
Como que um cavalo alado.

Olhei para ela e que tristeza
Camuflada em tanta beleza.
Perfeição corpórea
Mas espírito doente.

De que vale parecer requintado ouro
Quando os pelos de determinadas mentes
São mais agrestes do que os de um touro?

Razão que apela à futilidade,
Que quase inconscientemente
Nos rouba a liberdade
De sermos autênticos enquanto gente.

Tempos que caminham talvez para a destruição,
Para o fosso do sofrimento
Onde se vive sem emoção.

Felizmente, existe quem encontre
Aquilo que a vulgaridade esconde,
Numa invejosa ostentação
Que nos apodrece o coração.

A luz de sermos poetas,
De encontrarmos a nossa alma,
Em lindas florestas
De felicidade e calma.

Cantemos em uníssono social
O refúgio verdadeiro
Que nos imune do mal.

Seremos felizes,
Fixaremos as nossas raízes,
Numa terra fértil e sólida
Onde reina um estado primaveril.

É lindo sentir a Vida!


sexta-feira, 5 de janeiro de 2007




Escrevo a Alma


Sem agentes exteriores
Que me alterem a consciência,
Entro num estado de dormência
Para escrever sem inteligência.

A minha alma passa para uma folha
Como um rasto,
Uma trilha traçada pelas ondas do mar.
Por vezes espelho o que sou
E sinto-me uma chama incandescente,
Ora sóbria, ora demente,
Que arde sem porquê.

O mar calado escuta com prazer
Estes meditados devaneios,
Estas projecções do meu ser.
Tenho somente três anseios
E quero estar longe de morrer.

Sentir, amar, contemplar,
Sentir-me assim como que num estado de luz.
Parece que tudo na vida me seduz
Porque sou um poeta do meu perfil,
E sendo assim que sorte vil
Que me faz carregar esta pesada cruz.


quarta-feira, 3 de janeiro de 2007





Afeição Sem Destino


Destino que não te conheço,
Tento sempre falar contigo,
Gostava de dizer-te que padeço,
Não sei porque não te preocupas comigo.

Mil vezes tentei falar-te,
Dual mil não me escutaste,
O que sentia tentei dizer-te,
Tu o meu ente ignoraste.

Abre-me no mínimo uma janela,
Mesmo que esta seja rude ou tosca,
Quero ser ciente da verdade bela,
Não quero ser como uma pérola numa ostra.

Para quê ser prisioneiro
E natural pseudo-ignorante,
Se creio conhecer o amor verdadeiro
E sou um eterno amante?

Amor de verdade, tu existes!
Ri continuamente do destino,
Mesmo sem o conheceres tu resistes.


segunda-feira, 1 de janeiro de 2007


Feliz Ano de 2007

domingo, 31 de dezembro de 2006



Poesia


Não sei de onde surge
Esta forma distante da razão.
Será consequência do mar da vida
Ou do lamento do coração?
Sei que não lhe quero dar forma,
Não a quero alterar,
Nem prender ou manipular.
Hei-de conservar-lhe a nudez,
A sua forma sublime.
Quero-a minha e de todos
Num lugar de emoções.
Serei poeta? Não sei.
Desejo mimar os corações.


quinta-feira, 28 de dezembro de 2006


vento que sopras nas colinas da alma
traz-me de novo a quietude do ser,
devolve-me a paz que ja tive
antes de um grande amor perder.

mulher de loiros cabelos pintada,
feminina forma desenhada
a carvao colorido,
perfil asprosamente sumarento
por quem ainda hoje amor é sentido.

amazona da minha vida
que em mim cavalgaste sem pudor,
triste e sentida memória
que escreve a minha história
no meio da imensa dor.

sou de todos diferente,
ser pouco inteligente
que em palavras se derrete
como uma vela ardente
que se consome sob as notas
de uma musica que ninguem, mais ninguem entende.

valente guerreiro renasce em mim,
procura-me em cada recanto,
reconstroi o meu ser.
valente guerreiro faz-me orgulhoso de mim,
mesmo que nao consigas,
esperança-te até morrer.

obliqua realidade
recta de tristeza
e multiplicada de mal estar.
subtrais-me em felicidade,
somas e somas-te sempre desejosa de me matar.
nao sei se morrerei de ti,
nao sei se ja estou em mim perdido sem fim.
sei que és real porque quero
e é esse o meu maior desespero.
cruel realidade vivida sem porquê,
és quase tudo o que a minha alma vê.
estou numa cegueira existêncial,
nao consigo ver a minha estrada,
sinto caminhos distorcidos
espinhosamente esculpidos
de macabra crueldade real.
desejo nada e nada mais,
mais nada tenho para dar,
tenho mais e mais nada,
nao consigo parár de me consumir.
indigesto ser pobre que sou,
nem sequer me alimento do que nada sou.

amor efémero de tristeza calçado,
luz tenebrosa de vil amargo destino vestida.
meu amor, onde andas?
onde pára a tua presença?
caminho e precorro as vielas em busca de ti,
surreal esperança de te encontrar,
descabida ansia de te amar.
vontade louca de te ter so para mim,
vontade louca de te beijar e lamber sem fim.
sou obsceno nos pensamentos
mas ao mesmo tempo sublimemente sensivel em sentir.

voz que canta esta musica,
cala-te para sempre!
fala normalmente, discursa como todos
porque so assim te entendem.

do entendimento fala o Homem desde sempre,
sem entender a fala da sua propria fala.
pobre ser anormalmente inacabado,
pobre alma que conhece o sentido do pecado.
triste ilusao de viver sem saber o que é estar vivo,
futil existencia tao rica em pobreza,
pobreza tao rica que tudo faz ter nenhum sentido.

escrevo esta alma desdinhada em versos
que nao têm qualquer valor,
limpo de mim qualquer menos bem sentir
tentando sempre vislumbrar o amor.
sim, esse estado que me parece nunca ter conhecido,
já nem sei bem se acredito que existe.
sou alma em quem ninguem repara,
desprovido de plenitude humana
considero-me criação rara.
sou fruto desta vida que experimentei
e sou resultado de tudo o que terei.
sou assim sem ter medo de mim,
sou alguem que livremente aguardará o fim.
sempre livre, sempre sonhador,
sempre surreal,
sempre desejando conhecer o amor.